ASPOL lamenta ocorrência que envolveu investigador em Patos e relembra casos de transferências injustificadas na Polícia Civil

ASPOL lamenta ocorrência que envolveu investigador em Patos e relembra casos de transferências injustificadas na Polícia Civil

A Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba (ASPOL) lamenta a tragédia que marcou a noite desta terça-feira, dia 24 de outubro, na cidade de Patos. O policial civil Luciano Bonapart, investigador criminal, matou a esposa e cometeu suicídio na cidade de Patos, deixando um filho pequeno.

Luciano foi um dos policiais que realizava um excelente trabalho na cidade de Pombal e que foi transferido de maneira injusta e injustificada, com outros três investigadores da mesma unidade policial, fato denunciado pela ASPOL e que motivou um ato público realizado no mês de julho deste ano (Relembre aqui).

Levamos a público os problemas pelos quais estão passando vários policiais da Capital ao Sertão, vítimas do Assédio Moral nas delegacias de Polícia Civil da Paraíba. No caso de Luciano Bonapart e dos demais investigadores que trabalhavam em Pombal, o ato administrativo transferiu também dois policiais que estavam em gozo de férias e aconteceu depois de denúncias feitas pela ASPOL sobre o uso de arma de fogo por ‘araque de polícia’ e ausência de autoridade policial escalada pela Delegacia Seccional para lavratura de prisão em flagrante realizada pelos investigadores da cidade de Pombal.

Após as denúncias, todos os policiais transferidos tiveram a vida desestabilizada, perdas financeiras consideráveis e ainda sofreram o peso de desconfianças sobre suas condutas, já que ainda impera para a sociedade a ideia de que transferência é uma forma de punição. A Associação vem denunciando que as transferências estão sendo realizadas como retaliação, a título de assédio moral.

A ASPOL já relatou esses e outros problemas ao Delegado Geral João Alves, que assina esses atos de transferência com base em documentos de solicitação encaminhados por delegados seccionais e superintendentes, e também já relatou ao Secretário Cláudio Lima. A Polícia Civil é quem deveria eleger para estar a sua frente aqueles realmente preparados para gerir pessoas e equipes.

É muito triste a realidade enfrentada por esses policiais tratados como peças de tabuleiro de um jogo das vaidades, porque há uma enorme carga de estresse, e só quem sente na pele sabe o que são as covardias das quais são vítimas: mudam os profissionais de um lado a outro do Estado, transferem sem considerar serviços prestados e o interesse da sociedade, sugerem transferências em tom de ameaça.

Do outro lado, está um profissional: que deixa todo o trabalho investigativo correr rio abaixo; recebe tratamento como se fosse criminoso (“o que você fez para ser transferido?”) – normalmente, por questionar a gestão (d)eficiente; transferência dos filhos das escolas; cônjuges têm que mudar de emprego (quando pode, muda; ou então fica desempregado, ou trabalhando longe e se vendo algumas vezes por semana), e por fim vem a perda financeira, com a problemática de perdas de gratificações e plantões que não são distribuídos com critérios objetivos. Some-se a isso o estresse e muitas vezes a depressão, situações para as quais nem sempre há acompanhamento psicológico para o policial civil, apesar de todo o esforço do Núcleo de Saúde da Secretaria de Segurança.

No caso de Luciano Bonapart, a transferência significou, além de uma INJUSTIÇA, o deslocamento de 200 km para o ambiente de trabalho, dificuldades para acompanhar o tratamento médico da mãe, desestabilização do relacionamento com a esposa e familiares, que pode ter concorrido para a tragédia que hoje lamentamos.

Na certeza de que as condutas denunciadas pela ASPOL não são compatíveis com práticas democráticas e republicanas, pedimos que sejam observadas e reprimidas. Todo policial civil deve ser tratado com respeito, dignidade e humanidade.